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Judiciário e Ampara lançam Mês Nacional da Adoção com foco em celeridade e proteção à infância

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Neste domingo, 10 de maio, Dia das Mães, a maternidade também pede outro olhar: nem toda mãe começa no parto, nem todo filho chega pelo sangue. Algumas famílias se reconhecem no caminho, no tempo da espera, na coragem do vínculo e na escolha diária de permanecer.
Aos 62 anos, a assistente social, Eliacir Pedrosa, conhece essa travessia de perto. Mãe de dois filhos biológicos, uma filha por adoção e madrinha de jovens afilhados, ela conta que o desejo de maternar foi formado ainda na infância, em uma casa onde acolher fazia parte da vida.
“Vivenciar, no seio familiar, diversos tipos de acolhimento de afilhados e sobrinhos morando em nossa casa foi um estímulo para que eu desenvolvesse o carisma da convivência e do servir ao próximo”, relata.

A adoção veio depois de um sonho que mudou de caminho, mas não perdeu sentido. Ela e o marido desejavam ter uma filha mulher. Após duas perdas gestacionais, a vontade de ampliar a família encontrou na adoção uma nova forma de nascimento.

“A nossa maior motivação foi o fato de que eu e meu marido não havíamos tido filha mulher. Com duas perdas espontâneas, o sonho crescia, somado à necessidade de vínculos para além da consanguinidade”, conta.

Em Mato Grosso, essa espera também aparece nos números. Dados divulgados pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso apontam que o Estado tem 524 crianças e adolescentes em acolhimento institucional. Desse total, 85 estão aptos para adoção, enquanto 538 pretendentes estão habilitados. Mesmo com mais pretendentes do que crianças aptas, muitos adolescentes, grupos de irmãos e crianças com deficiência ou questões de saúde ainda enfrentam mais dificuldade para encontrar uma família.

Para a assistente social, a adoção não é um gesto pronto, mas uma construção. Exige presença, escuta, rede de apoio e disposição para lidar com as dores que antecedem o encontro.

“A decisão foi sempre pela vinculação afetiva na adoção, algo desafiador para toda a família. Quanto mais era evidente, mais elaborávamos e aceitávamos trabalhar nossas limitações”, afirma.

Nesse percurso, ela destaca o papel dos amigos, da escola, da Igreja Católica, de colegas profissionais e da AMPARA — Associação Mato-grossense de Pesquisa e Apoio à Adoção, entidade em que hoje atua como voluntária. A associação participa de ações de apoio, orientação e fortalecimento de famílias adotivas em Mato Grosso.

“O apoio dos amigos, da escola, da AMPARA, dos irmãos da Igreja Católica e dos colegas profissionais foi fundamental para a superação dos conflitos emocionais”, destaca.

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Como voluntária, ela participa dos Cursos de Pré-Natal da Adoção, realizados mensalmente na Escola dos Servidores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso. A atividade prepara pretendentes e abre espaço para dúvidas sobre o universo adotivo, especialmente a partir do olhar da criança e do adolescente.

“Utilizamos um método de simular um podcast, e os pretendentes fazem perguntas sobre o universo da adoção, especialmente no pensamento do adotado”, explica.

A AMPARA também realiza, no último sábado de cada mês, o Encontro de Pós-Adoção, reunindo famílias e filhos para troca de experiências. A voluntária ainda participa de projetos como AMPARA na Comunidade, AMPARA nas Escolas e AMPARA na Estrada. “A AMPARA é o nosso espaço de convivência familiar e comunitária”, resume.

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Entre dados, histórias e esperas, a adoção revela uma verdade delicada: família não é apenas origem, é também destino construído. Para ela, adotar é aprender a amar sem exigir condições, acolhendo a história que cada filho traz antes mesmo de chegar.
“A adoção insere tanto no adotado como no adotante a marca do apego afetivo incondicional. Isso é uma construção.
Oferece às crianças um lar e uma família estável, e aos pais a oportunidade de realizar seu papel parental”, reflete.
Neste Dia das Mães, sua história lembra que maternar pode ser gerar, acolher, esperar, escolher e ficar. Um sim que começou como inquietude e se transformou em missão de vida.

“O meu sim iniciou como uma inquietude, com o mais profundo desejo de fazer a vontade de Deus, mas com a convicção de ser instrumento, com muitas renúncias, para doar uma parte de mim e da nossa família em favor da vida”, conclui.