Aos 21 anos, Ana Regina acabou de se formar em Publicidade. Jovem, bonita e bem articulada, a garota tem a mente cheia de planos para o futuro – um bom emprego, quem sabe casamento e filhos também – e representa um perfil que muitos pais desejariam ter como filha em casa. Apesar de ter todo um futuro promissor pela frente, a história nem sempre foi assim. Filha de uma usuária de drogas que se prostituía, ela viveu até os cinco anos de idade sendo vítima de descaso e violência dentro de casa. “Muitas vezes minha mãe biológica me deixava sozinha, chegava bêbada e também tinha relações sexuais na minha frente. Minha vida só mudou depois que eu fui para um abrigo e depois que fui adotada pela minha família atual, aos sete anos”, conta a jovem.
Ana é um exemplo de sucesso da chamada adoção tardia, ou seja, quando os pretendentes à adoção não restringem sua escolha a bebês (na maioria das vezes, meninas e sem problemas de saúde). Atualmente, existem em Mato Grosso 456 crianças e adolescentes acolhidos e 62 encontram-se aptos à adoção. Apesar de o número de pretendentes à adoção ser maior que o número de crianças disponíveis, a ‘conta não fecha’ e muitos adolescentes chegam à juventude nos lares de acolhimento sem terem tido a chance de conviver em um ambiente familiar. E foi justamente para sensibilizar a sociedade cuiabana sobre a importância da adoção que teve início hoje (16 de fevereiro), na Galeria Silva Freire, da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Mato Grosso, uma nova edição da exposição fotográfica O que os olhos veem o coração sente – Família Direito de Todos.
A exposição pretende trazer visibilidade à adoção e é uma parceria entre a OAB-MT (por meio da Comissão de Infância e Juventude), a Associação Mato-grossense de Pesquisa e Apoio à Adoção (Ampara) e o Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente (CEDCA), com apoio do Poder Judiciário. “O tema que a gente traz chama a atenção para a necessidade de dar visibilidade a essas crianças e adolescentes. Por décadas elas ficaram esquecidas, sob argumento de protegê-las, mas estavam justamente tirando delas a oportunidade de ter uma família. Precisamos falar, dar ciência da existência desses perfis. São crianças mais velhas, muitas vezes com irmãos ou alguma deficiência, e que querem uma família. É possível dar certo quando existe amor e dedicação. A Ampara luta para romper mitos e preconceitos, e dar visibilidade às crianças reais”, salienta a presidente da Associação, Lindacir Bernardon.
Na solenidade de lançamento da exposição, a presidente da Comissão de Infância e Juventude da OAB-MT, Tatiane Barros, enfatizou a importância de dar espaço às crianças que se encontram fora do perfil ‘preferido’ dos pretendentes. “Elas merecem uma família e também amor. São crianças carinhosas, que muitas vezes já sofreram traumas. Esse projeto visa dar visibilidade e voz a esses menores”. Já a presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente, Cleide Eliane de Souza, parabenizou a Ampara, OAB e o Judiciário pela iniciativa e enfatizou a importância desta ação. “Não se fala da garantia de vida familiar e comunitária apenas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, mas também pela Constituição Federal. Essas crianças têm direito a conviver em família. Que crime elas cometeram para terem que ficar dentro de instituições?”, questionou.
Mãe, tia e avó de crianças adotadas, a juíza da Primeira Vara Especializada de Família e Sucessões de Cuiabá, Ângela Gimenez, fala com propriedade sobre o assunto. “Essa é uma iniciativa muito preciosa, pois tira da invisibilidade crianças que aguardam a inclusão em novas famílias e também traz discussão sobre novos formatos de família. Mostramos que a família não se forma pelo sangue, mas sim por afeto, pois ainda que haja vínculo sanguíneo, mas não haja afeto, não existe vínculo familiar. Não importa como a família é composta, o que importa é a relação de respeito e afeto”, destacou.
Além das fotos das famílias adotivas, também estão expostas fotografias das crianças que estão aptas à adoção. Os fotógrafos Gilberto Galdino e Edson Gilson foram os responsáveis por captar estes momentos entre as famílias adotivas e também das crianças que aguardam por um novo lar.
Lindacir Bernardon, que é mãe da jovem Ana Regina e de outros dois filhos adotivos, conta que as imagens das crianças à espera de uma família são divulgadas com autorização judicial. Ela explica ainda que a inspiração vem do projeto ‘Adote um Pequeno Torcedor’, desenvolvido pelo Sport Club do Recife, que visa ajudar crianças com mais de sete anos de idade a encontrar uma família.
Serviço – A exposição ‘O que os olhos veem o coração sente’ foi aberta no dia 20 de janeiro em Várzea Grande e deve passar por diversos municípios de Mato Grosso durante o ano. Na OAB/MT, ela segue aberta para visitação até o dia 28 de fevereiro, das 8h30 às 17h30.
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