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Projeto amplia diálogo sobre adoção e diferentes configurações familiares nas escolas

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A Escola Municipal de Educação Básica (EMEB) Glaucia Maria Borges Garcia, no bairro Despraiado, em Cuiabá, recebeu na quarta-feira (2) a última etapa do projeto “Família é Direito e Precisa de Respeito”, desenvolvido pela Associação Mato-grossense de Pesquisa e Apoio à Adoção (Ampara). A atividade marcou o encerramento do ciclo realizado em nove escolas municipais da Capital e abre caminho para novas edições, diante do interesse demonstrado por outras instituições de ensino.

Voltado a estudantes e professores do Ensino Fundamental, o projeto utiliza oficinas, dinâmicas e rodas de conversa para abordar acolhimento institucional, adoção, diferentes configurações familiares, pertencimento, individualidade e prevenção ao bullying. A proposta é desconstruir mitos e preconceitos relacionados às crianças e aos adolescentes que vivem em instituições de acolhimento, ampliando a compreensão sobre o processo de adoção.

A gestora do projeto e diretora financeira da Ampara, Elísia Regina de Oliveira Cruz, explica que a iniciativa contribui para quebrar paradigmas, especialmente em relação à adoção de adolescentes.

“As crianças são ferramentas fundamentais, porque elas entendem e levam o assunto para ser discutido em casa. Assim, atingimos um público maior, porque tudo o que aprendem na escola, contam em casa. A intenção da Ampara é mostrar a essa criança que o filho adotivo e os acolhidos na Casa Lar podem, sim, ser amados com amor incondicional”, diz Elísia. O projeto nas escolas foi realizado com recursos do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de Cuiabá.

Adoção começa pela necessidade da criança

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Um dos conceitos trabalhados pelo projeto é a mudança de perspectiva sobre a adoção. A Ampara busca mostrar aos estudantes que o processo deve partir das necessidades da criança ou do adolescente, e não da expectativa de uma família em ter um filho.

“Estamos propagando uma nova cultura sobre a adoção. Antigamente, buscava-se uma criança para uma família; hoje é o contrário: busca-se uma família para uma criança”, explica Elísia. Ao criar espaços de diálogo, o projeto permite que os estudantes compartilhem experiências e compreendam diferentes histórias e formações familiares.

Professores ampliam o olhar sobre os alunos

A iniciativa também envolve os educadores, oferecendo elementos para que compreendam melhor as histórias e os comportamentos dos estudantes, especialmente daqueles com vivência em acolhimento institucional.

“O professor consegue ver o aluno de maneira humanizada e empática. Vários professores, ao terminarem as oficinas e dinâmicas, relatam que passaram a entender o comportamento da criança a partir de seu histórico familiar. Isso é muito importante”, relata a gestora.

Segundo ela, esse olhar humanizado contribui diretamente para aproximar a prática pedagógica da realidade dos alunos.

Interesse pode levar a novos ciclos

Com a conclusão das atividades nas nove escolas municipais, o ciclo atual se encerra, mas a experiência pode ter continuidade. Segundo Elísia, outras instituições já manifestaram interesse em receber a iniciativa.

“Temos recebido um retorno muito positivo. Outras escolas querem que a Ampara leve o projeto até elas, mas dependemos de recursos para realizar as atividades. Infelizmente, não é possível alcançar todas as instituições de imediato, mas é um plano para o futuro.”

A atuação da Ampara se soma às ações desenvolvidas em parceria com o Poder Judiciário de Mato Grosso na promoção do direito à convivência familiar e comunitária, mantendo uma trajetória contínua de orientação, preparação e conscientização sobre a adoção.